Chuvas de outros planetas são semelhantes às da Terra, diz estudo

09/04/2021 às 21:302 min de leitura

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Reinaldo Zaruvni

via nexperts0 Compartilharam0 Comentários

Apesar de apresentarem composições químicas diferentes, chuvas de outros mundos se assemelham – e muito – às que ocorrem aqui na Terra, indica Kaitlyn Loftus, estudante do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Harvard (EUA), em estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Planets. De acordo com ela, nem mesmo as mais variadas atmosferas causam alterações substanciais nas gotas que caem sobre diversas superfícies extraterrestres.

Essas informações, salientam pesquisadores, podem auxiliar cientistas a entenderem os climas e os ciclos de precipitações de locais distantes, como os de Vênus, onde há tempestades de ácido sulfúrico; de Júpiter, no qual há eventos de granizo de hélio e amônia pastosa; de Marte, com dióxido de carbono ou gelo seco; de Titã, lua de Saturno, em que garoas garantem um banho de metano ou gás natural liquefeito; e de Netuno, cujos céus derramam diamantes, suspeitam especialistas.

Além disso, dependendo das condições, alguns planetas são capazes de inundar territórios com ferro ou quartzo – e as gotículas, por sua vez, se limitam a um tamanho entre cerca de um décimo de milímetro a vários milímetros de raio, não excedendo tais dimensões. No mais, quanto mais forte a atração gravitacional exercida sobre elas menores são, manifestando-se de uma faixa de cerca de metade das daqui até seis vezes mais.

“Há uma gama bem pequena de tamanhos estáveis que essas gotas de chuva de diferentes composições podem ter; todos elas estão fundamentalmente limitadas a terem aproximadamente o mesmo aspecto máximo”, destaca Loftus. O comparativo abaixo ilustra o cenário – contendo Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Titã, a força gravitacional (fraca, média e forte) e outros itens, como um grão de cuscuz, um comprimido e uma moeda. Confira.

Comparativo de gotas de chuva em outros mundos.Comparativo de gotas de chuva em outros mundos.Fonte:  Reprodução 

“E o céu claro de estrelas”

Princípios matemáticos e científicos é que nortearam as estimativas de Kaitlyn e seu colega, Robin Wordsworth, que desejavam determinar os intervalos de tamanhos possíveis para gotas que caem de uma nuvem para o chão. Enquanto as que são muito grandes se dividem em menores, explicam, as pequenas evaporam antes de chegarem ao solo.

Por exemplo, no caso de planetas rochosos, os primeiros analisados, temperatura, pressão do ar, umidade relativa, distância percorrida pelas gotículas e a força da atração gravitacional revelaram que aquelas com cerca de um décimo de milímetro desaparecem no percurso; já as outras se separam e dão origem a novas – e o movimento pelo “ar” dos exemplares em outros gigantes é bem parecido com o visto nos demais.

Quanto à aparência, bem, não se sabe se as “parrudas” mantêm a estrutura que conhecemos, ainda que Loftus sugira que a tensão de suas superfícies esteja diretamente ligada às suas densidades.

À direita, Kaitlyn Loftus, estudante do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Harvard (EUA).À direita, Kaitlyn Loftus, estudante do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Harvard (EUA).Fonte:  Reprodução 

Tristan Guillot, cientista do Observatório de Nice (França), salienta que a novidade da estudante tem o potencial de otimizar novas pesquisas. “Agora, com instrumentos como [o Telescópio Espacial James Webb], que esperançosamente será lançado em breve, teremos a capacidade de detectar espectros realmente finos de atmosferas exoplanetárias, incluindo aqueles que são bem mais frios do que os que normalmente somos capazes de caracterizar, em que nuvens e chuvas ocorrerão.”

“Portanto essas descobertas, à medida que surgem, serão muito úteis e importantes para interpretarmos dados coletados”, finaliza o cientista, que não participou do estudo de Kaitlyn. Wordsworth complementa: “A longo prazo, elas também podem nos ajudar a obter uma compreensão mais profunda do clima da própria Terra.”

Astrônomos descobrem cometa coberto com ‘pó de talco’

08/04/2021 às 06:302 min de leitura

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Um grupo de astrônomos da Universidade Kyoto Sangyo, no Japão, fez uma descoberta curiosa ao observar um cometa que se encontra no estágio final de sua vida: ele é coberto por uma substância semelhante ao pó de talco. A novidade foi revelada em um estudo publicado na revista Icarus, em março.

Avistado pela primeira vez em janeiro de 2016, o cometa P / 2016 BA14 (Panstarrs) logo despertou a curiosidade dos cientistas, devido à sua atividade diferente. O comportamento estranho confundiu os observadores, que chegaram a pensar se tratar de um asteroide.

Posteriormente, descobriu-se que era realmente um cometa, mas em estado enfraquecido, depois de algumas aproximações do Sol. Neste processo, que normalmente resulta na formação de caudas impressionantes, o corpo celeste foi aquecido, perdendo gás e poeira.

Passagem do cometa perto da Terra, em 2016.Passagem do cometa perto da Terra, em 2016.Fonte:  G1/Reprodução 

E foi durante essas jornadas que o objeto se desgastou, chegando ao estado atual. “Acredita-se que depois de muitas viagens pelo Sistema Solar interno, este cometa queimou quase todo o seu gelo e agora está se aproximando do fim de sua vida cometária”, sugeriu a equipe responsável pelo estudo.

De onde vem o “pó de talco”?

Utilizando o telescópio Subaru do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), apontado para o cometa durante 30 horas, os astrônomos conseguiram observá-lo mais de perto quando ele passou a 3,6 milhões de km de distância da Terra, o equivalente a nove vezes a distância entre a Lua e o nosso planeta, no dia 22 de março de 2016.

A observação do curioso astro celeste feita há cinco anos, utilizando radiação infravermelha térmica, mesma tecnologia encontrada nos termômetros sem contato que se tornaram bastante comuns no nosso dia a dia, permitiu não só medir a sua temperatura, como também estudar a composição da superfície dele, mostrando alguns detalhes interessantes.

A tecnologia utilizada para observar o corpo celeste è semelhante à do termômetro sem contato.A tecnologia utilizada para observar o corpo celeste è semelhante à do termômetro sem contato.Fonte: Observatório Astronômico Nacional do Japão/Divulgação 

Os astrônomos descobriram que o P / 2016 BA14 (Panstarrs) tem 800 metros de diâmetro e que a sua superfície é coberta por moléculas orgânicas e enormes grãos de filossilicato. Na Terra, tal substância é encontrada no popular pó de talco, utilizado em diversas ocasiões.

De acordo com a pesquisa, trata-se da primeira vez que minerais de silicato hidratado, como o talco, são achados em um cometa. Ao comparar as substâncias encontradas nele com medições feitas em laboratório, os cientistas concluíram que os grãos no corpo celeste foram aquecidos a mais de 300 ºC no passado, sugerindo a sua presença em uma órbita mais próxima do Sol — atualmente, a temperatura na superfície dele não passa de “apenas” 130 ºC.

Futura visita

A surpreendente descoberta feito pelos astrônomos japoneses levantou uma outra questão: o pó de talco na superfície do cometa esteve sempre por lá, fazendo parte da formação natural do objeto, ou surgiu depois de ele ter se aproximado incontáveis vezes do Sol?

Para o astrônomo Takafumi Ootsubo, a resposta pode fornecer uma pista preciosa para estudar o desenvolvimento destes objetos. “Acreditamos que outras observações dos núcleos do cometa nos permitirão aprender mais sobre esta evolução”, comentou o autor principal do estudo.

A missão Comet Interceptor pode ir até ele, em breve.A missão Comet Interceptor pode ir até ele, em breve.Fonte:  ESA/Divulgação 

Mesmo estando em seu estágio final de vida, como apontam as características descritas na pesquisa, o cometa P / 2016 BA14 (Panstarrs) tornou-se um potencial candidato a receber uma visita da missão Comet Interceptor em breve. Ela é organizada pela Agência Espacial Europeia (ESA), em parceria com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

Composta por três espaconaves, a missão pode visitar um cometa em aproximação à Terra e realizar observações simultâneas de vários pontos ao redor dele, gerando uma imagem 3D do objeto.

Asteroide do tamanho de uma van escolar ‘tira casquinha’ na Terra

12/04/2021 às 14:081 min de leitura

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Um pequeno asteroide, do tamanho de uma van escolar, passou “próximo” à Terra na manhã desta segunda-feira (12). Batizado de 2021 GW4, o corpo rochoso tem cerca de 4 metros de diâmetro, o que o torna inofensivo, pois, ainda que estivesse em rota de colisão com o nosso planeta, certamente não sobreviveria à entrada na atmosfera terrestre.

No seu movimento de aproximação máxima, que ocorreu por volta das 10h (horário de Brasília), o objeto esteve a cerca de 25,2 mil quilômetros da Terra, uma distância relativamente pequena quando se leva em conta que a proximidade da Terra com o seu satélite mais próximo, a Lua, é de 384,4 mi quilômetros.

A visita desta manhã foi o encontro mais próximo do asteroide com a Terra, pelo menos até o próximo século segundo a NASA que calculou previamente a órbita do objeto, com um ciclo de quase dois anos ao redor do Sol.

A primeira observação do 2021 GW4 foi feita na semana passada (8), por cientistas do Mount Lemmon Survey, que é parte do Catalina Sky Survey (CSS), programa de monitoramento da NASA que já identificou, somente neste ano, mais de 500 asteroides, segundo o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra (NEO, na sigla em inglês), O NEO já identificou 25,5 mil asteroides próximos à Terra, a maioria deles sem qualquer risco.

Vem frio intenso para os próximos dias em Santa Catarina

Frio intenso deve ser registrado em Santa Catarina a partir desta semana. A previsão indica três quedas de temperaturas nos próximos 15 dias.  A primeira acontecerá na segunda-feira (12), quando os termômetros poderão registrar mínima entre 6°C e 9°C nas áreas mais elevadas.

Já próximo ao dia 19 de abril, às mínimas deverão ficar entre 3°C e 6°C no Sul do Paraná, Serra e Planalto de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Há potencial para geadas, conforme a Epagri/Ciram. E a terceira queda está prevista para 22 de abril com mínima entre 3°C e 6°C. Das capitais, Curitiba sentirá mais as quedas da temperatura com máxima de apenas 17°C na terça-feira da semana que vem.