Universitários criam cursinho pré-vestibular no Complexo da Maré

Funcionando há um ano, o cursinho já rendeu bons resultados: todos os estudantes da 1° turma passaram para universidades públicas no Rio

Foto: Divulgação

Em agosto de 2018, três jovens universitários deram um passo importante para mudar a vida de estudantes do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Daniele Figueiredo, Laerte Breno  e Letícia Maia fundaram o UniFavela, um cursinho pré-vestibular comunitário.

Os universitários já ajudam vestibulandos como monitores em uma biblioteca na comunidade, mas o projeto cresceu e com a ameaça de perderem o local para dar às aulas, contaram com o suporte de um dos alunos para continuar.

O aluno cedeu a laje de sua casa para os encontros, oferecendo as mesas e bancos. O trio trouxe uma pequena lousa branco para conseguirem passar os conteúdos. Os livros do cursinhos ficavam apoiados em um conjunto de tijolos que formavam a estante.

Os três idealizadores do projeto são estudantes de universidades públicas do Rio e moram na Maré. Eles buscam aplicar um ensino não linear para os estudantes, tentando atender às dúvidas, mirando além da aprovação para oferecer uma formação humana.

O projeto, que começou de forma simples, aos poucos passou a precisar de uma rede maior de voluntários. Nas redes sociais do projeto o grupo divulga os saraus, simulados, aulões, cinedebates, oficinas e chama novos professores que possam e queiram contribuir.

Além das aulas, a UniFavela também realiza oficinas de arte e de cultura. A atuação do grupo não se restringe as paredes da sala de aula, mas eles também promovem a arrecadação de doações para os moradores que estão em situação de vulnerabilidade social na região.

Após uma publicação que viralizou nas redes sociais, o projeto conseguiu arrecadar fundos em uma vaquinha online, que serviu para o suporte financeiro para que os professores voluntários consigam chegar até o local das aulas, e conseguir levar os alunos para atividades extraclasse.

Com a notícia de que os 10 alunos da 1° turma passaram para universidade públicas no estado, como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Universidade Estadual do RJ e na UNIRIO, a ONG Vida Real cedeu uma das salas de sua sede para a realização das aulas da UniFavela.

Os tijolos que formavam a “estante” para os livros do cursinho e a pequena lousa foram deixados para trás, assim como as ameaças constantes de tiroteios que ocorriam próximo a laje e deixavam os alunos apreensivos devido a pouca proteção que tinha ali.

Hoje, no novo espaço, as aulas da 2° turma do cursinho ocorrem de segunda a sexta. Atualmente, a UniFavela conta com 21 professores, uma pedagoga e dois ex-alunos do projeto que estão auxiliando a gestão atual.

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