“Do nada, veio o barranco inteiro”, conta único sobrevivente de desmoronamento no Paraná

Ederson Teles Proença foi uma das vítimas e o único sobrevivente do desmoronamento de terra em Marilândia do Sul, no norte do Paraná, na tarde da última sexta-feira (30). Na ocasião, cinco operários trabalhavam em uma obra de tubulação para irrigação de um sítio quando foram soterrados.

Sobrevivente de desmoronamento em Marilândia do Sul acreditou que iria morrer

Mesmo abalado, Ederson concedeu uma entrevista à RICTV Record Paraná e contou como o soterramento aconteceu. Segundo seu relato, o deslizamento foi rápido e não deu tempo dos trabalhadores pensarem em fugir. “Foi duma vez, nós tava trabalhando, cavando e botando os canos. Aí, a máquina ia cavando na frente e nós tava indo atrás. De repente, do nada, veio o barranco inteiro”, lembra.

“Só escutei alguém falar, meu Deus, nós vamos morrer. O gordinho [colega de trabalho] ainda olhou pra mim e disse ‘Edinho, minha filha’ e foi sufocado pela terra. Eu vi ele respirar duas vezes e aí, não vi mais respirar. Eu pensei que ia morrer também”, conta consternado.

Conforme conta, ele mesmo só sobreviveu porque uma fenda se formou entre o seu rosto e a terra. “Na hora que eu gritei Deus, parou uma fendinha, eu fiquei com a boca e o nariz de fora com dois metros de terra pra cima de mim ainda. E eu pensei ‘agora, eu vou morrer porque vai deslizar”, lembra o único sobrevivente do desmoronamento em Marilândia do Sul.

“Eu pensei ‘meus amigos já tão tudo morto aqui embaixo, já faz uns dez minutos que nós estamos aqui, eu vou morrer também”.

Resgate e perda dos amigos

O resgate demorou cerca de 4 horas e durante esse tempo, o trabalhador lembra que não conseguia se mexer e estava com dificuldades para respirar embaixo da terra. “A minha sorte foi que os bombeiros chegaram rápido e jogaram a máscara de oxigênio [na vala], eu não conseguia colocar, mas ficou aquele ar agradável”.

Ederson está com escoriações na perna e não mexe um dos braços, mas os ferimentos perto da perda de seus companheiros não é nada, segundo ele mesmo declara:

“Eu chorei bastante, quando eu fiquei sabendo mesmo que tinha todo mundo morrido, minha mãe falou pra mim, era 2h da manhã, no hospital. É muito triste”, fala.

Vítimas fatais do desmoronamento de terra em Marilândia do Sul

Três dos quatro trabalhadores mortos no soterramento eram da mesma família e foram sepultados em Marilândia do Sul, apenas um era morador da cidade vizinha Mauá da Serra, onde foi enterrado.

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