De virada, Paraná vence o Guarani e retoma a liderança da Série B

Com gols de Bruno Gomes e Jhony Douglas, Tricolor vence a primeira longe de Curitiba

 em 18 de agosto, 2020 as 23h28.

Bruno Gomes comemora segundo gol dele na Série B

O Paraná conquistou a terceira vitória seguida nesta Série B, a primeira longe de Curitiba. Em Campinas, o Tricolor  venceu de virada o Guarani por 2 a 1, Bruno Gomes e Jhony Douglas marcaram para o Tricolor na segunda etapa. Bruno Sávio, aos 27 minutos da primeiro tempo abriu o placar. Com a vitória do Operário diante do CSA, a equipe de Ponta Grossa, assumiu a liderança momentânea  da Série B, mas o triunfo no interior paulista, a equipe paranista retomou a liderança isolada da competição.

O Guarani terá praticamente uma semana até o próximo. A equipe de Campinas vai  até Santa Catarina para enfrentar a Chapecoense na próxima segunda-feira (24), às 20h. O Paraná terá um duelo estadual pela quinta rodada da Série B. A equipe de Allan Aal recebe o Operário no domingo (23) às 11h.

A novidade na escalação foi a entrada da Bruno Gomes no lugar de Raphael Alemão, que rescindiu com o Tricolor e vai atuar no futebol do Azerbaijão. A alteração que seria comum, surtiu pouco efeito.  O centroavante que teve a primeira oportunidade de começar como titular teve uma oportunidade, jogada de Andrey pela esquerda, o camisa 11 cruzou para Bruno Gomes que furou na hora do chute. O goleiro Jeferson Paulino durante todo o primeiro tempo, fez apenas uma defesa, Gabriel Pires arriscou de fora da área e o goleiro do Guarani mandou para escanteio.

Enquanto o Paraná teve dificuldades ofensivas, o Guarani além de ter maior posse de bola, criou boas oportunidades de gol. Em chutes de longes, Lucas Crispim e Giovanny levaram perigo. Mas o destaque do primeiro tempo é para Bruno Sávio, substituto de Júnior Todinho. O camisa 22 teve duas chances. Na primeira, o atacante fez jogada individual, passou por dois marcadores e chutou em cima do zagueiro Fabrício. Na segunda, de fora da área, ajeitou para a perna direita e soltou a bomba para abrir o placar em Campinas.

Na segunda etapa, o Paraná tentou voltar com uma postura diferente, mas o nervosismo atrapalhou. Com mais posse de bola, o Tricolor pressionou, até chegar ao gol de empate. Paulo Henrique recebeu lançamento, fez cruzamento rasteiro e Bruno Gomes mandou para as redes. Logo na saída de bola, o Guarani se lançou ao ataque, passe da esquerda e Giovanny de primeira, bateu forte e Alisson fez uma linda defesa.

Aos 29 minutos da segunda etapa, Tricolor continuava pressionando, no mesmo lance Renan Bressan e Higor Meritão pararam no goleiro da equipe de Campinas. Porém no escanteio, Jhony Douglas se antecipou e testou firme para fazer o segundo do Paraná. Nos minutos finais, o Guarani tentou pressionar, mas não conseguiu acertar o gol.

FICHA TÉCNICA

GUARANI 1X2 PARANÁ CLUBE

Local: Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas
Data: Terça-feira, 18 de agosto de 2020
Horário: 21h30
Árbitro: Paulo César Zanovelli (MG)
Assistentes: Marconi Helbert Vieira (MG) e Helen Aparecida Gonçalves Silva Araújo (MG)https://2714ba5c55829f7c492318f236906df0.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Guarani: Jefferson Paulino; Pablo, Wálber, Didi e Bidu; Deivid, Eduardo Person (Igor Henrique), Lucas Crispim e Giovanny (Rafael Costa); Waguininho e Bruno Sávio (Cristovám).
Técnico: Thiago Carpini

Paraná: Alisson; Paulo Henrique, Thales, Fabrício e Jean Victor; Jhony, Higor Meritão e Renan Bressan; Gabriel Pires (Marcelo), Andrey e Bruno Gomes (Kaio).
Técnico: Allan Aal

Gols: Bruno Sávio aos 27 minutos do 1º tempo; Bruno Gomes aos 16 minutos  e Jhony Douglas aos 29 minutos do 2º tempo
Cartões amarelos: Waguininho, Marcelo e Romércio (GUA); Gabriel Pires (PRC)

‘Fiquei preocupado, mas o bem vai e volta’, diz criança que caiu de bicicleta, riscou carro e deixou bilhete de desculpas

Benício Esmanhoto Hoffmann, curitibano de 7 anos, conta que não esperava que o gesto de honestidade gerasse tanta repercussão. Dono do veículo disse que só viu o risco na lataria por causa do recado do garoto.

Por Natalia Filippin, G1 PR — Curitiba

20/09/2020 18h25  Atualizado há uma hora


Menino de 7 anos que caiu de bicicleta, riscou veículo e deixou bilhete pedindo desculpas ao dono — Foto: Arquivo pessoal/Marcel Weiss Hoffmann

Menino de 7 anos que caiu de bicicleta, riscou veículo e deixou bilhete pedindo desculpas ao dono — Foto: Arquivo pessoal/Marcel Weiss Hoffmannhttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

O sorriso sincero com alguns dentinhos faltando demonstra a pureza de quem, desde muito cedo, leva consigo valores de sobra. Benício Esmanhoto Hoffmann, de 7 anos, estava andando de bicicleta com o pai na rua, em Curitiba (PR), quando se desequilibrou e bateu com o guidão em um carro.

Preocupado com seu “erro”, ele deixou um bilhete pedindo desculpas ao dono (assista no vídeo abaixo).

Em entrevista ao G1, Benício contou que, logo que ocorreu a situação, voltou para casa pensando em como pagar com seu próprio dinheiro.

“Na hora eu pensei: vou parar de andar bicicleta e pronto, acabou minha vida de ciclista. Eu fiquei anos juntando um pouquinho [de dinheiro] e daí tudo isso ia ser despejado em uma coisinha só. Fiquei preocupado, mas o bem sempre vai e volta, vai e volta, vai e volta”, disse o menino.

Bilhete com pedido de desculpas viraliza na internet

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Bilhete com pedido de desculpas viraliza na internet

Criança juntou dinheiro para pagar

Marcel Weiss Hoffmann, pai de Benício, disse que o filho sempre reúne as moedas que ganha no dia a dia ou como presente em datas comemorativas, como no Natal — a criança queria usar seu dinheiro para pagar o conserto.

“Ele ficou muito incomodado, ficou perguntando se ia custar caro. Ele até juntou um trocadinho dele e ficou se lamentando que o dinheirinho dele não ia dar para pagar”, disse Marcel.

O pai diz que ficou angustiado em ver o filho tão decepcionado após arranhar o carro e querendo resolver o problema o quanto antes.

“Ficamos pensando no que fazer, não queríamos colocar no grupo da rua porque não tinha sido algo grave, ninguém tinha se machucado, né. Pegamos papel e caneta, e ele começou a escrever. Para nós foi uma história bem simples e corriqueira. No final do dia, o vizinho mandou uma mensagem falando que achou bem fofo o bilhete, mas que não precisava pagar nada”, comentou o pai.

A sensação de fazer o correto

Benício relatou que em nenhum momento pensou em “fugir” das responsabilidades. Segundo ele, o mundo já está “ruim demais para mais pessoas fazerem o mal”.

“Para esse momento, em plena pandemia, isso tem que servir para fazer o bem. Essa sensação depois é ótima. A gente já está com pouca água, com coronavírus, tem bandidos roubando, tudo fechado, melhorar não piorar. A situação já está quase impossível. A ação do Marcelo [dono do carro] também foi boa por não ter pedido o pagamento”, pontuou o garoto.

Dono do carro disse que nem notou o risco na lataria, em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Dono do carro disse que nem notou o risco na lataria, em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Fama repentina

Ao encontrar o bilhete, o dono do carro, Marcelo Martins, postou uma foto do pedido de desculpas em uma rede social. A foto, de domingo (13), teve mais de 350 mil curtidas e 42 mil compartilhamentos.

Em entrevista à RPC, Marcelo afirmou que foi surpreendido pelo gesto do menino.

“A gente acha que alguém que bate no seu carro pode sair correndo, ainda mais nesta idade, mas eu achei um gesto de uma doçura, de uma honestidade grande. Eu procurei de todos os lados, meu carro estava meio sujo e nem reparei. Se não fosse o bilhete eu nem tinha notado”, disse Marcelo.

Benício contou que não esperava que o vizinho fosse fazer a publicação e se assustou com a repercussão.

“Aconteceram rápido as coisas aqui. A primeira reação quando vi que rolou isso na internet foi: ‘O quê?!’ Para mim, foi estranho. Eu fiquei impressionado, foi um susto ficar famoso do nada. Quando eu quis pagar, ele não quis cobrar de mim. É o segundo amigo que eu faço no mesmo ano aqui. Deu boa”, afirmou o menino.

A foto teve mais de 350 mil curtidas e 42 mil compartilhamentos — Foto: Reprodução

A foto teve mais de 350 mil curtidas e 42 mil compartilhamentos — Foto: Reprodução

Pai orgulhoso

O pai do Benício afirmou que, mesmo conhecendo o jeito do filho e a educação que sempre buscou oferecer a ele, ficou contente com a atitude.

“Sempre foi um menino muito bom, carinhoso, atencioso, preocupado com os outros. Ele não sabe se quer ser juiz ou não porque ele tem medo que, no futuro, o juiz vai ser substituído por robôs. Ele sempre foi uma criança muito correta e me dá bronca quando eventualmente excedo a velocidade, por exemplo”, disse o pai.

Marcel Hoffmann comentou ainda que o que ele e a mãe de Benício buscam é que o filho sempre tenha segurança neles quando surgir um problema, que ele não precisa fugir da situação delicada.

“Quando a gente vê que ele se responsabiliza pelas ações assim, ficamos felizes. Ele sempre andou bem de bicicleta, sempre gostou. Só tombinho normal da idade. Ele anda sem as rodinhas [da bicicleta] desde os 3 anos. Pegou em casa aquelas bicicletinhas sem pedal e enlouqueceu de felicidade, fez questão que eu tirasse as rodinhas e o pedal da bicicleta dele”, relatou.

Por causa do isolamento, sem poder viajar e com sol quase todos os dias na capital do Paraná, andar de bicicleta é e vai continuar sendo a atividade do pai e do filho, segundo eles.

“Foi assustador, mas passou. Agora vamos seguir a vida e tomar mais cuidado”, concluiu Benício.

Benício, de 7 anos, deixou um bilhete após riscar carro sem querer, em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Benício, de 7 anos, deixou um bilhete após riscar carro sem querer, em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Mãe e filho morrem de Covid-19 em intervalo de 8 horas em SC

Ela era professora da educação infantil e ele, motorista da Secretaria de Saúde em Xanxerê. Os dois ficaram internados na mesma UTI por quase duas semanas.

Por Valéria Martins, G1 SC

20/09/2020 15h38  Atualizado há uma hora


Mãe e filho com coronavírus morreram em intervalo de 8 horas no Oeste de SC — Foto: Redes sociais/Reprodução

Mãe e filho com coronavírus morreram em intervalo de 8 horas no Oeste de SC — Foto: Redes sociais

Mãe e filho diagnosticados com o novo coronavírus morreram em intervalo de 8 horas após ficarem internados na mesma ala de unidade de terapia intensiva em Xanxerê, no Oeste catarinense, por quase duas semanas.

Segundo a prefeitura de Xanxerê, a professora Erenita Isotton, de 60 anos, morreu às 19h30 de sábado (19) e o filho dela, Ademar Isotton Júnior, de 32 anos, morreu às 3h30 deste domingo (20).

Ademar foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital regional São Paulo em 4 de setembro. Quatro dias depois, a mãe dele precisou ser internada na mesma ala de UTI. Ambos tinham comorbidades, não detalhadas pela Secretaria de Saúde, e tiveram a causa da morte confirmada para Covid-19.

Eles eram funcionários públicos municipais: ela professora do ensino infantil e ele, motorista da Secretaria Municipal de Saúde.

Colegas de trabalho e amigos lamentam perdas

Erenita foi professora por 30 anos, também trabalhou na Secretaria municipal de Cultura e estava se preparando para a aposentadoria, segundo a Secretaria Municipal de Educação, que emitiu nota destacando a alegria da servidora no relacionamento com alunos, colegas e familiares.

“Erenita foi professora, colega, amiga e uma excelente profissional. Desejamos que Deus a receba em seus braços com o mesmo amor e carinho com que diariamente ela recebia seus alunos”, diz a nota.

Já Júnior, como o filho de Erenita era conhecido por familiares e amigos, era motorista da secretaria de Saúde havia 10 anos. Também em nota, a Secretaria de Saúde da cidade lamentou a morte e lembrou da dedicação dele ao trabalho e aos colegas.

“‘Funcionário dedicado e exemplar, Junior estava sempre disposto a colaborar, sempre com um sorriso no rosto, com bom humor, auxiliando a todos. […] Que Deus possa dar o conforto à família neste momento de dor”, informa a nota.

Erenita deixou, além de amigos, dois filhos. Júnior deixa os irmãos, pai, além de colegas e outros familiares.

SC ultrapassa 205 mil casos de Covid-19 e registra 2.635 mortes

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SC ultrapassa 205 mil casos de Covid-19 e registra 2.635 mortes

Coronavírus em SC

Até a tarde de sábado (19), Xanxerê tinha registrado 27 mortes por coronavírus e total de 2.017 diagnosticados, segundo último boletim do governo estadual.

Em todo estado de Santa Catarina são mais de 205 mil casos confirmados e 2.635 mortes.

Covid-19: com risco de contágio, poderemos usar ar-condicionado no verão?

‘Ar-condicionado no quinze’ e tudo fechado? Com o coronavírus na área, nem pensar. Para evitar a transmissão pelo ar, o jeito será recorrer a janelas abertas e ventiladores.

Por BBC

20/09/2020 08h40  Atualizado há 13 horas


Riscos de uso do ar condicionado durante pandemia de coronavírus ganharam atenção com estudo sobre restaurante chinês e discussão sobre a transmissão pelo ar — Foto: Getty Images

Riscos de uso do ar condicionado durante pandemia de coronavírus ganharam atenção com estudo sobre restaurante chinês e discussão sobre a transmissão pelo ar

A cada verão que passa, mais aparelhos de ar-condicionado são comprados no Brasil — nos últimos anos, esse mercado tem crescido no país, apesar da crise econômica e da queda no consumo impactando a venda de outros produtos.

Mas depois da pandemia de coronavírus de 2020, há dúvidas se, com o calor que se aproxima, poderemos ligar esses milhões de aparelhos que estão nas nossas casas, pequenos comércios, lojas, shoppings, carros e transporte público. Afinal, há cada vez mais indícios da transmissão do vírus pelo ar, e em julho um estudo da China surpreendeu ao apontar o ar-condicionado de um restaurante como vilão na infecção de 10 pessoas de três famílias diferentes almoçando ali.

Se você já está suando frio com a possibilidade de não poder usar estes aparelhos, adiantamos logo algumas respostas obtidas com especialistas entrevistados pela BBC News Brasil.

Primeiro, o ar-condicionado em si não é o vilão, mas sim o confinamento coletivo — ou seja, seu uso em ambientes fechados, em que há pouca ou nenhuma circulação de ar, com presença de outras pessoas que podem estar infectadas.

Por isso, com o coronavírus circulando, deixar portas e janelas fechadas enquanto o ar está ligado não é aconselhável. No cenário atual, deverá ser necessário apelar para aparelhos que convivam melhor com estas aberturas, como ventiladores e climatizadores; ou usar o ar-condicionado com frestas abertas; ou ainda o ar-condicionado associado a ventiladores e janelas abertas.

Isso a não ser que o sistema de refrigeração em questão inclua equipamentos de renovação mecânica — o que, segundo especialistas, seria o ideal, mas exige planejamento e altos custos de manutenção, sendo raramente visto no Brasil.

Vamos às explicações — mas vale antes lembrar que ainda há muito a ser conhecido sobre o vírus e estudos em curso, portanto elas não são definitivas.

O restaurante chinês: ar-condicionado central, exaustor e sem janelas

O artigo científico sobre o restaurante chinês que colocou o ar-condicionado sob holofotes foi publicado por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Guangzhou no periódico científico Emerging Infectious Diseases, editado pelos CDCs (Centros de Controle de Doenças) dos Estados Unidos.

Eles rastrearam pessoas que almoçaram no dia 24 de janeiro em um restaurante de cinco andares, sem nenhuma janela, com exaustores e ar-condicionado central (sistema capaz de climatizar vários ambientes a partir de um único equipamento; os modelos variam em porte e na tecnologia empregada pra distribuir o ar frio, sendo comumente encontrados em bancos, supermercados e shoppings).

Um cliente, ainda assintomático, tinha viajado de Wuhan, cidade chinesa em que o vírus começou a infectar humanos, para Guangzhou, onde fica o restaurante. Ele e sua família se sentaram em uma mesa ao lado de outras duas, com distância de cerca de um metro entre elas. As três mesas estavam na reta de um aparelho de ar condicionado.

Pesquisadores chineses rastrearam casos de infecção em 10 pessoas que almoçaram em restaurante de Guangzhou, onde havia ar condicionado central e nenhuma janela — Foto: Reprodução /Emerging Infectous Diseases

Pesquisadores chineses rastrearam casos de infecção em 10 pessoas que almoçaram em restaurante de Guangzhou, onde havia ar condicionado central e nenhuma janela — Foto: Reprodução /Emerging Infectous Diseaseshttps:/

Ao longo dos dias seguintes, o cliente vindo de Wuhan e mais nove pessoas presentes nessas três mesas foram diagnosticadas com covid-19.

Os autores defenderam que a transmissão do coronavírus seja explicada não só pelas gotículas de material infeccioso (como a saliva de uma pessoa contaminada), que têm tamanho maior, correm distâncias menores e duram menos tempo no ar, mas também pelos aerossóis, partículas menores do material infeccioso que ficam suspensas no ar por mais tempo e têm alcance mais distante.

No caso do restaurante em Guangzhou, os pesquisadores dizem que não há certeza que a infecção tenha ocorrido por meio dos aerossóis, já que outros clientes e funcionários no mesmo ambiente não foram infectados. Mas eles sugerem que os aerossóis possivelmente estavam mais concentrados na área das mesas próximas, carregados por correntes do ar condicionado.

A conclusão do artigo recomenda que restaurantes aumentem a distância entre as mesas e melhorem a ventilação.

Diversos cientistas criticam que autoridades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão subestimando o potencial transmissivo dos aerossóis (leia: Cientista critica visão da OMS sobre contágio pelo ar: ‘Não deixam a gente se proteger direito’). Em julho, um grupo de mais de 200 pesquisadores escreveu uma carta defendendo o reconhecimento dessa via de transmissão.

Uma das autoras da carta, Lidia Morawska, professora da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, respondeu à BBC News Brasil por e-mail não acreditar que os aparelhos de ar-condicionado sejam um problema ou risco em si, e sim a falta de ventilação — que ajuda a diluir contaminantes.

“Não ter ventilação significa a não retirada de partículas infectadas de ambientes internos. O ar pode ser condicionado — o que significa ser esfriado ou aquecido —, mas uma ventilação eficiente precisa ser garantida”, escreveu Morawaska, também consultora da OMS sobre qualidade do ar

Falando do artigo sobre o restaurante chinês, ela mencionou também o direcionamento do ar.

“As correntes de ar estavam passando pela pessoa infectada e carregaram o vírus para outras pessoas. O mesmo acontece em aviões, por exemplo, onde a corrente de ar é unidirecional, e em outras situações. A questão é a direção da corrente de ar, que pode ser induzida por diferentes fatores, como uma porta aberta.”

Cuidado com ventilação e qualidade do ar é pouco comum no Brasil, apontam entrevistados

Entretanto, ao menos no Brasil, é comum que as pessoas se preocupem simplesmente com que o ar-condicionado abaixe a temperatura, e não com as condições de ventilação ou qualidade do ar, diz Oswaldo Bueno, engenheiro e consultor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

Aparelhos mais simples, como do tipo minisplit, não apenas se valem da recirculação do ar — ou seja, pegam o “mesmo” ar de um ambiente para reciclá-lo, o que é um problema se este estiver contaminado —, como normalmente não vêm acompanhados de mecanismos de renovação mecânica do ar. No caso de aparelhos de janela, alguns modelos têm a opção da renovação, mas nem todos.

Até existem opções no mercado de aparelhos para fazer isso, como insufladores (que incluem filtro e ventilação) e caixas de ventilação, mas é “raríssimo” que isso seja uma preocupação em casas ou pequenos negócios, diz Bueno. E deveria ser alvo de maior atenção mesmo antes da covid-19, pois o ar pode concentrar outros vírus, bactérias e fungos, além de gases tóxicos.

“O grande mercado brasileiro hoje é o das pequenas instalações, sejam residenciais ou comerciais. Imagina um consultório de dentista: ele vai ter uma pequena máquina funcionando. Essa máquinas representam cerca de 75% de todo e qualquer equipamento no mercado brasileiro. E todas vezes que essas máquinas são instaladas, não há preocupação com o ar externo”, explica o engenheiro, recomendando que, com a pandemia, esses aparelhos sejam usados com janelas e portas abertas, e até mesmo junto com ventiladores perto destas, ainda que isso faça os ambientes ficarem menos frios que o ideal.

Erick Campos, engenheiro mecânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), do campus de Governador Valadares, escreveu um relatório justamente sobre os impactos da pandemia nos sistemas de ar condicionado na realidade brasileira, em conjunto com o professor Bruno Augusto Guedes, também da UFJF.

Campos diz que, mesmo em cenários em que a ventilação não foi prevista, uma nova adaptação para tempos de covid-19 pode ser inviabilizada por custos, não só com a instalação mas também com o maior gasto de energia. Afinal, a renovação retira ar mais frio e insere o ar externo, geralmente mais quente, então o trabalho para refrigerar é maior. Isso significa também que em muitos casos a potência dos aparelhos pode ser insuficiente para tal adaptação, já que originalmente não foi calculada a entrada de mais ar externo.

“As informações disponíveis indicam que é arriscado usar o ar-condicionado sem esse sistema de ventilação. O risco é que os aerossóis aumentem sua concentração naquele ambiente, e uma pessoa que aspire estas partículas pode ser contaminada. A solução é contraintuitiva, como usar o ar-condicionado com janelas e portas abertas ou, se possível, buscar alternativas para o ar-condicionado por um tempo”, afirma o engenheiro da UFJF, sugerindo ventiladores e climatizadores (ou refrigeradores evaporativos), que convivem melhor com ambientes abertos.

Ele pondera, entretanto, que em casas onde vive uma família os riscos de transmissão acontecem em várias situações, e o contato continua sendo mais importante para a transmissão do coronavírus do que uma eventual transmissão por meio das correntes de ar condicionado. Por isso, em todos os casos, o uso de máscaras e o distanciamento continuam sendo fundamentais.

A importância da ventilação vale também para carros e ônibus, embora alguns veículos tenham no seu sistema de climatização a opção de renovação do ar, com troca entre o interno e externo.

Em relação aos filtros convencionais, que normalmente retêm contaminantes nos aparelhos, as evidências indicam que, para o coronavírus, eles não são tão eficazes — pois o patógeno é leve o bastante para ser aspirado pelo ar-condicionado e ao mesmo tempo pequeno para atravessar os filtros, explica Campos.

Mas Bueno lembra que os filtros são importantes também para conter partículas de outros patógenos e também da poluição, o que contribui para a proteção do sistema respiratório das pessoas — ainda mais os filtros mais eficazes, com eficácia mínima de 50% para partículas menores que 0,4 µm. Entretanto, aparelhos simples como o minisplit tampouco têm filtro, e sim uma tela de proteção que, segundo os especialistas, é insuficiente.

Adaptações em shoppings

Já sistemas maiores, como em prédios comerciais ou shoppings, costumam ter mecanismos de renovação do ar — em que o ar “usado” é extraído do ambiente interno e canalizado para uma unidade de tratamento, geralmente no telhado, onde há mistura com ar fresco.

Esses sistemas costumam permitir até mesmo a regulação da quantidade de ar fresco que será injetada no prédio. No contexto de pandemia, quanto mais, melhor — mas isso traz também mais gastos com energia.

Bueno lembra que o ar externo é tão importante pois sua limpeza acontece naturalmente, com a ajuda da chuva e dos ventos.

Mesmo em locais com renovação mecânica, a abertura para o ar externo também é desejável — em uma cartilha da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, recomenda-se por exemplo que as portas dos shoppings permaneçam abertas e que exaustores em sanitários e cozinhas operem em nível máximo de vazão de ar.

“Instalações completas, funcionando de acordo com seu projeto, tendo plano de manutenção e controle, são saudáveis e vão proteger. Foi prevista a filtragem e a renovação do ar”, explica Oswaldo Bueno, apontando que sistemas de climatização em áreas públicas costumam ser submetidos a mais normas e leis, desde seu planejamento.

Segundo uma lei federal de 2018, todos os ambientes de uso público e coletivo com ar condicionado devem ter um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), com controle por exemplo de níveis de concentração de poluentes, um indicador sobre a qualidade do ar. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a fiscalização do plano é de responsabilidade de órgãos de vigilância locais, e não há dados nacionais sobre autuações e multas.

A perspectiva é que o país tenha mais e mais aparelhos de ar-condicionado com o passar dos anos, segundo o relatório internacional The future of cooling, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), publicado em 2018. Em 2016, o Brasil tinha aproximadamente 27 milhões de aparelhos de ar-condicionado, incluídos aí residenciais e comerciais. A previsão é que, em 2050, o número chegue a 165 milhões de aparelhos.

Mas o país está longe da liderança mundial — apenas China, Japão e Estados Unidos concentram dois terços de todos os aparelhos do mundo.

NEVE EM BUENOS AIRES E NA PATAGÔNIA COM O AR POLAR QUE ESTÁ CHEGANDO

set 19, 2020 |

Nevou por poucos minutos na manhã deste sábado na localidade de Balcarce, na província de Buenos Aires, em pleno dia 19 de setembro e a apenas três dias do final do inverno e do começo da primavera. Uma forte massa de ar polar avança pelo Centro da Argentina com acentuado declínio da temperatura.

O ar polar também está trazendo neve no Sul do continente. Forte nevada foi registrada ontem em Ushuaia, na Terra do Fogo, com mais de 10 centímetros de acumulação em alguns pontos, o que trouxe alguns transtornos. Apesar da neve ser bastante comum em Ushuaia, uma grande nevada no final do inverno e ao redor da virada da estação não é uma ocorrência freqüente.

A massa de ar polar de forte intensidade para o fim do inverno que está na Argentina ingressa no Centro-Sul do Brasil ao longo deste fim de semana com acentuado declínio da temperatura. No Rio Grande do Sul e em parte de Santa Catarina, a queda da temperatura já é sentida neste sábado (19), especialmente no final do dia, quando faz frio, enquanto no Paraná, no Sudeste e no Centro-Oeste o resfriamento será percebido mais entre amanhã (20) e a segunda-feira (21).

Clique aqui e leia mais sobre o episódio de frio no Sul do Brasil nos próximos dias

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as madrugadas mais frias neste episódio de frio serão as de amanhã, segunda-feira e a terça com possibilidade de marcas negativas nos dois estados, especialmente na segunda e na terça que terão tempo mais aberto e mínimas menores em um maior número de municípios que no domingo. Não há previsão de neve aqui, entretanto haverá formação de geada em diversas regiões gaúchas e até em pontos da Grande Porto Alegre. A geada será predominantemente fraca, contudo em áreas de baixadas, especialmente de locais de maior altitude, será moderada a forte. Haverá geada ainda em parte de Santa Catarina.

PREVISÃO DO TEMPO – AR POLAR CHEGA E INVERNO INVADE A PRIMAVERA

set 19, 2020 | 

Alina Souza/Correio do Povo

O inverno vai invadir o começo da primavera. Uma frente fria começa a avançar pelo Rio Grande do Sul e traz, como se previa, aumento da nebulosidade neste sábado no território gaúcho. Trata-se de uma frente com fraca atividade e na esmagadora maioria dos locais não vai provocar precipitação. Há, contudo, chance de chuva ou garoa em alguns pontos, especialmente da Metade Leste do Estado, como o Extremo Sul gaúcho, a Serra e o Litoral Norte.

Imagem do satélite GOES-16 das 10h deste sábado com a frente fria sobre o Rio Grande do Sul

Este sistema ainda traz nuvens no começo do domingo na Metade Norte enquanto pelo Oeste e o Sul o tempo vai abrir com sol desde cedo, condição que se estende às demais regiões gaúchas no decorrer do domingo. Em Porto Alegre, depois de um lindo fim da tarde com tempo aberto na sexta-feira, o tempo já estava encoberto na manhã deste sábado.

Fim de tarde da sexta-feira em Porto Alegre (Fernando Oliveira)

Manhã deste sábado em Porto Alegre (Fernando Oliveira)

Esta frente fria avança na dianteira de uma massa de ar polar de forte intensidade para o fim do inverno que ingressa no Centro-Sul do Brasil ao longo deste fim de semana com acentuado declínio da temperatura. No Rio Grande do Sul e em parte de Santa Catarina, a queda da temperatura já é sentida neste sábado (19), especialmente no final do dia, quando faz frio, enquanto no Paraná, no Sudeste e no Centro-Oeste o resfriamento será percebido mais entre amanhã (20) e a segunda-feira (21).

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as madrugadas mais frias neste episódio de frio serão as de amanhã, segunda-feira e a terça com possibilidade de marcas negativas nos dois estados, especialmente na segunda e na terça que terão tempo mais aberto e mínimas menores em um maior número de municípios que no domingo.

A temperatura pode cair a -2ºC ou -3ºC nos Campos de Cima da Serra e a -4ºC ou -5ºC no Planalto Sul Catarinense. Na Grande Porto Alegre, mínimas ao redor de 8ºC no amanhecer do domingo, entre 3ºC e 5ºC no começo da segunda-feira e ao redor de 4ºC e 5ºC na terça. Na Campanha e na região de fronteira com o Uruguai, marcas perto de 0ºC no domingo e na segunda. Na área de Pelotas, no Sul gaúcho, os termômetros devem indicar entre 2ºC e 4ºC na maioria dos locais nas madrugadas de domingo a terça. No Oeste, na região de Uruguaiana, pode fazer 4ºC ou 5ºC na madrugada mais fria na cidade, na segunda. Em Santa Maria, as mínimas devem ficar em torno de 4ºC ou 5ºC, mas com marcas menores nas áreas rurais do Centro do Estado. Na região de Passo Fundo, 2ºC a 3ºC devem ser as mínimas, porém em baixadas devem ser esperadas marcas ao redor de 0ºC ou negativas, especialmente na segunda-feira. No Noroeste, em baixadas, marcas de 0ºC a 2ºC.

Com estes valores de mínimas, haverá formação de geada em diversas regiões gaúchas e até em pontos da Grande Porto Alegre. A geada será predominantemente fraca, contudo em áreas de baixadas, especialmente de locais de maior altitude, será moderada a forte. Haverá geada ainda em parte de Santa Catarina.

Os mapas abaixo mostram as últimas projeções de geada do modelo meteorológico canadense para domingo, segunda e a terça-feira a partir da rodada da 0Z deste sábado. Os mapas de geada deste e outros modelos estão disponíveis ao assinante na seção de mapas com atualizações periódicas.

Projeção de geada do modelo canadense para domingo

Projeção de geada do modelo canadense para segunda

Projeção de geada do modelo canadense para terça

Projeção de geada do modelo canadense para quarta-feira

Como setembro já está na sua segunda quinzena, em fim da safra de inverno e nos estágios iniciais da safra de verão, trata-se de episódio tardio de geada, o que a MetSul alertava por meses a seus assinantes poderia ocorrer neste fim de inverno e no começo da primavera em seus boletins de clima e sobre a evolução da condições do Pacífico.

Geada nesta época do ano traz um alto risco de prejuízo na agricultura com danos, por exemplo, para o trigo, aveia e a fruticultura, dentre outras culturas sensíveis ao frio.

O ar frio ingressa com vento, como é comum em massas de ar polar, especialmente de maior intensidade ou tardias. Vento que é moderado em certos momentos neste sábado com rajadas ocasionais. Em Santa Catarina e no Paraná, no Leste dois estados, assim como em pontos do Sudeste do Brasil, especialmente em áreas costeiras, o ar frio igualmente chegará com rajadas de vento. Há risco de vento muito forte em pontos dos litorais de Santa Catarina e do Paraná. O mar ficará agitado e com risco de ressaca no Sul e no Sudeste do Brasil com ondas de 3 a 4 metros, segundos dados dos modelos WaveWatch e da Marinha do Brasil. No Centro-Oeste, a chegada do ar mais frio com vento pode provocar tempestades de areia.

Como já é primavera climática, episódios de frio têm curta duração e logo aquece de novo. Por isso, o frio se concentra mais no começo da semana com rápido aquecimento e tardes de temperatura alta na segunda metade da semana que vem. Outro fato de incursões tardias de frio é que o frio mais intenso se limita ao período noturno e ao começo da manhã. As tardes serão amenas a muito agradáveis no período. No Sudeste do Brasil, as máximas se elevarão pouco e serão baixas por outro motivo, o tempo instável por um sistema frontal que estará atuando na região com chuva freqüente e que em alguns pontos pode trazer elevados volumes. A cidade de São Paulo, por exemplo, terá vários dias seguidos com registro de chuva e deve chover também no Rio de Janeiro e em áreas de Minas

Covid-19 ‘do futuro’ deverá ser sazonal como outros vírus respiratórios, sugerem pesquisadores

Artigo publicado nesta terça-feira (15/9) indica que, após imunidade coletiva ser atingida, Sars-CoV-2 poderá ser mais problemática em determinadas épocas do ano.

TOPO

Por BBC

15/09/2020 08h10  Atualizado há 4 dias


Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via Nasa

Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus — Foto: NIAID via Nasahttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Já conhecemos diversos vírus que causam mais problemas em determinadas estações do ano, como o da influenza e o vírus sincicial respiratório (RSV) no inverno ou o da parainfluenza em setembro para o Hemisfério Sul.

Segundo um artigo publicado nesta terça-feira (15/9) no periódico Frontiers in Public Health, tudo indica que, no futuro, o novo coronavírus também se tornará uma doença respiratória sazonal, possivelmente trazendo mais problemas no inverno — mas isto apenas depois que a imunidade coletiva para a nova doença seja atingida por vias naturais ou por meio de uma vacina. O trabalho foi fruto de uma revisão de estudos anteriores sobre diversos tipos de vírus e sua sazonalidade.

“A Covid-19 veio para ficar e ela continuará a causar surtos ao longo do tempo até que a imunidade coletiva seja atingida. Assim, o público precisará aprender a viver com a doença e a continuar praticando as melhores medidas de prevenção, incluindo usar máscaras, evitar aglomerações, distanciamento físico e higiene das mãos“, explicou em comunicado à imprensa Hassan Zaraket, líder do estudo e pesquisador da Universidade Americana em Beirute, no Líbano.

“Continua se tratando de um vírus novo e, apesar do rápido e crescente volume de evidências científicas sobre ele, ainda há muitas coisas desconhecidas. Se nossas previsões serão confirmadas ou não no futuro, ainda não sabemos. Mas acreditamos que é muito provável que a Covid-19 se torne sazonal, como outros coronavírus.”

A sazonalidade de vírus respiratórios é mais evidente em regiões de clima temperado, enquanto em regiões tropicais, como no Brasil, vírus como o influenza (causador da gripe) podem afetar de forma mais diluída ao longo do ano.

Para o Sars-CoV-2, porém, a etapa da sazonalidade ainda não chegou pois as populações que ele encontrou pela frente eram desprotegidas imunologicamente — uma evidência disso é sua taxa de reprodução maior do que outros vírus, como da gripe.

Um exemplo de que, por enquanto, condições climáticas ainda não afetam tanto a propagação do coronavírus é que a maior taxa de infecção per capita no mundo foi registrada no Golfo Pérsico em pleno verão, dizem os autores.

Ainda assim, segundo o artigo, ainda que regiões tropicais estejam sofrendo fortemente com a Covid-19, há evidências de que a transmissão foi mais agressiva no inverno de regiões temperadas — o que indica que o frio e o clima seco podem favorecer a infecção.

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A sazonalidade já foi relatada recentemente para outros coronavírus, como o NL63 e o HKU1.

Já o coronavírus que causa a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que gerou surtos em vários países a partir de 2012, ainda está produzindo infecções “intermitentes e esporádicas”, sem uma sazonalidade evidente, diz o artigo na Frontiers in Public Health.

A sazonalidade dos vírus é resultado de uma combinação de fatores envolvendo temperatura e umidade — como as condições de sobrevivência dos patógenos no ar e nas superfícies; a baixa da imunidade diante de alterações climáticas; e a hábitos, como o de se aglomerar em ambientes fechados quando está frio.

Comportamento em redes sociais pode provocar demissão? Especialistas dizem que sim; tire dúvidas

Advogados trabalhistas apontam atitudes que dão demissão por justa causa; TST tem entendido que são válidas as demissões por exposição inadequada nas redes sociais.

Por Marta Cavallini, G1

25/06/2018 07h00  Atualizado há 2 anos

Novo vídeo mostra brasileiros desrespeitando mulheres na Rússia

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Novo vídeo mostra brasileiros desrespeitando mulheres na Rússia

demissão de um funcionário da Latam após ter aparecido em um vídeo com outros brasileiros constrangendo mulheres durante a Copa da Rússia reacendeu a discussão sobre o comportamento dos profissionais nas redes sociais e as consequências para suas carreiras.

“As redes sociais são uma janela aberta, não há anonimato. Aqueles que a utilizam têm de ter claras as consequências que vêm do seu mau uso”, alerta o advogado trabalhista Antonio Carlos Aguiar.

Facebook — Foto: BBC

Facebook — Foto: BBC

Segundo especialistas em direito do trabalho, expressar insatisfação em relação à empresa em que trabalha, como denegrir a sua imagem, reclamar do salário, do horário, do novo uniforme e do trabalho em si, falar mal do chefe, dos colegas e dos clientes podem gerar demissão por justa causa.

Já as atitudes que não tenham ligação direta com a empresa também podem levar à perda do emprego, mas para que se configure a justa causa deve-se levar em conta o código de conduta da organização e se o que foi postado fere a honra do empregador.

Veja abaixo o tira-dúvidas sobre o assunto:

A empresa pode demitir o funcionário por má conduta nas redes sociais?

Sim, dizem os advogados trabalhistas José Santana, do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, e Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, professor da PUC-SP. E a empresa pode demitir por justa causa se a má conduta nas redes sociais denegrir a sua imagem.

Na demissão por justa causa, o trabalhador receberá apenas o saldo do salário e as férias vencidas, deixando de receber férias e 13º proporcionais. Além disso, não tem direito à multa do FGTS nem ao dinheiro do aviso prévio.

A advogada trabalhista Marcella Mello Mazza, do escritório Baraldi Mélega Advogados, esclarece que a empresa zela por sua imagem perante a sociedade, e o empregado é um representante da organização.

“O comportamento imoral nas redes sociais que atente contra a honra do empregador pode ser a base para que uma dispensa com justa causa ocorra.”

Segundo o professor da Fundação Santo André (SP), Antonio Carlos Aguiar, as pessoas costumam informar em seus dados pessoais o local onde trabalham. Sendo assim, há uma estreita ligação entre aquilo que postam e a imagem da empresa.

Em relação à demissão sem justa causa, a empresa não precisa apresentar o motivo da dispensa. Portanto, a postura inadequada pode levar a essa decisão, mesmo que a razão não fique clara. Quanto à demissão por justa causa, ele explica que é preciso ter uma prova robusta de que a intenção do empregado foi grave e danosa à empresa. E cita como exemplos postagens falando mal do empregador, contendo ilações deselegantes ou injuriosas.

Aguiar ressalta que, para ser viável a punição para comportamento inadequado sob o ponto de vista ético ou moral que não envolva diretamente a empresa, é necessário que esteja expressamente prevista no contrato de trabalho, em regulamento interno ou código de ética ou conduta. E para a justa causa ser aplicada é preciso haver provas claras e de natureza muito grave.

O que mais gera demissões em relação ao uso das redes sociais?

  • Procedimentos que atentam contra as regras legais, que ferem a moral ou são ofensivos aos bons costumes e à decência;
  • Comportamento incorreto que ofende a dignidade, tornando impossível a manutenção do vínculo empregatício;
  • Uso indevido das redes sociais em horário de trabalho;
  • Uso de mídias sociais não autorizadas;
  • Ofensa ao pudor, pornografia ou obscenidade, com desrespeito aos colegas de trabalho e à empresa;
  • Manifestações de racismo;
  • Apresentar atestado e, nos dias de licença, aparecer em festas em fotos postadas.

Casos concretos

Marcella cita a demissão de uma enfermeira que utilizou a internet para veicular fotos da equipe de trabalho durante o expediente, desrespeitando doentes e seus familiares. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) entendeu que a conduta da enfermeira foi grave ao ponto de justificar a dispensa por justa causa.

Aguiar conta que o Metrô do Rio de Janeiro dispensou um empregado que postou uma foto no local de trabalho, na cabine de venda de bilhetes, uniformizado, em período de carnaval, dizendo que aquele era o abadá dele.

O que mais gera demissões por justa causa relacionadas ao uso das redes?

  • Empregado que difama o empregador, colegas, clientes ou pacientes;
  • Empregado que se utiliza das redes para alcançar objetivos ilícitos;
  • Empregado que pratica atos que revelam indisciplina, insubordinação ou negligência no desempenho das funções que lhe foram confiadas;
  • Empregado que revela segredos do empregador.

Que atitudes podem gerar demissão, ainda que não sejam ligadas diretamente à empresa?

A demissão ocorre conforme a gravidade e a relação com o empregador, segundo Marcella:

  • Comportamentos inadequados que não combinam com os valores e princípios da empresa, como manifestar preconceito, desrespeitar pessoas, aparecer em fotos com trajes inadequados.
  • Se envolver em discussões com outras pessoas nas redes sociais, que acabam em ofensas e troca de insultos de ambos os lados.
  • Usar blogs pessoais para expressar ideias e publicar críticas ou opiniões polêmicas, que vão contra o senso comum.

O funcionário demitido pode entrar na Justiça contra a decisão da empresa? Ele tem chance de reverter?

Santana ressalta que o funcionário deve provar que a má conduta nas redes sociais não interferiu direta ou indiretamente na imagem da empresa, caso contrário, as chances de reversão são pequenas.

Guimarães afirma que o direito de ação é pleno, mas a reversão depende das provas produzidas.

Stuchi diz que o empregado que for demitido por justa causa de maneira inadequada pode e deve ingressar na Justiça para reversão da demissão, tendo enormes chances de reversão.

Marcella ressalta que as chances vão variar conforme o caso e a gravidade da conduta.

A empresa pode demitir o funcionário mesmo sem nunca ter deixado claro o que é inadequado colocar nas redes?

Stuchi diz que se o que foi colocado na rede social for de natureza grave, a empresa pode demitir o empregado mesmo sem nunca tê-lo orientado sobre o assunto.

“O funcionário pode ser demitido não somente se falar mal da empresa, mas até se der um “like” para algo nocivo à organização”, aponta Aguiar.

Para Santana, não deixar expresso o que seria inadequado colocar nas redes sociais não exime o funcionário de ter uma boa conduta.

“Valores éticos e morais são de notório conhecimento, então, é importante que o bom senso seja usado nessa exposição. Além disso, a alegação de não conhecimento da lei não pode servir de base para o seu não cumprimento”, diz Marcella.

Se a empresa não tiver regra clara sobre a justa causa, o funcionário pode processar a empresa por abuso?

Marcella diz que é direito do empregado procurar a Justiça sempre que se sentir lesado nas relações trabalhistas. Mas o atentado contra a dignidade do empregador é um dos motivos para a justa causa, ainda que a lei não trate especificamente sobre as redes sociais.

Para Santana, a clareza quanto à regra é irrelevante se o funcionário se enquadrar em uma das hipóteses previstas na CLT para demissão por justa causa.

A lei trabalhista trata do assunto? Há jurisprudência? Geralmente dão ganho para quem?

Segundo Santana, a lei trabalhista não trata especificamente das redes sociais, mas do aspecto comportamental do funcionário.

“A jurisprudência tem entendido que se a má conduta atinge a imagem da empresa, pode ocorrer a justa causa”, diz.

Marcella diz que a indisciplina, o mau procedimento, a violação de segredo da empresa e o ato atentatório contra a dignidade do empregador são os motivos avaliados pelos juízes para a justa causa, ainda que a lei não trate especificamente sobre as redes sociais. “Com a crescente demanda sobre o tema, foi necessário que os julgadores se posicionassem”, diz.

Segundo ela, o TST tem entendido que são válidas as demissões por exposição inadequada nas redes sociais e, inclusive, há precedentes que orientam para que o empregado observe a ética, disciplina e seriedade do uso das redes sociais no ambiente de trabalho.

Os casos mais comuns são os de demissão por justa causa em razão de exposição que atente contra a honra do empregador e violação de segredo sobre a empresa.

Stuchi explica que a jurisprudência é unânime no entendimento de que atitudes graves devem ser tratadas com justa causa, que ocorre quando um empregado não tem mais condições de permanecer na empresa por sua conduta. E o Poder Judiciário, ao julgar o pedido de reversão de justa causa, analisa se a pena foi aplicada de maneira correta e se houve antes aplicações de penas graduais como forma de orientação.

O que os juízes aceitam como prova? Print dos posts? Testemunhas? O Facebook pode ser acionado para apresentar os posts?

Ruslan Stuchi diz que são aceitas provas testemunhal e documental, que incluem os “prints” das telas e, caso necessário, ocorre a expedição de ofício para a rede social para confirmação dos fatos elencados.

Guimarães afirma que todo meio de prova é admitido, salvo quando se exige determinação judicial para que se encontre a prova.

Os atos praticados pelo empregado fora do horário e do local de trabalho podem levar à demissão?

Para o consultor jurídico da Fecomércio-CE, Eduardo Pragmácio Filho, os atos praticados pelo empregado fora do horário e do local de trabalho são privados e não se relacionam com o seu contrato, portanto, não podem levar a uma justa causa.

No entanto, segundo ele, em certas profissões e em algumas posições de destaque, quando a imagem do empregado se confunde com a da empresa, como é o caso de altos executivos ou atletas, os atos privados do empregado podem afetar a reputação da empresa e, assim, fundamentar uma justa causa.

Para ele, no caso dos brasileiros que postaram o vídeo constrangendo mulheres durante a Copa, embora reprovável, não se enquadra uma justa causa, pois não afeta a reputação das empresas onde trabalham.

Para Stuchi, em comportamentos que não ferem diretamente a imagem da empresa, mas geram repercussão negativa, ela tem a premissa de avaliar a gravidade da situação e sua ligação com a atividade profissional.

“Existem outras formas de penalidade, como advertência e suspensão, e a justa causa só é lançada caso o ato do empregado seja considerado altamente nocivo à empresa”, diz.

A empresa deve levar em conta o histórico de conduta do funcionário para demiti-lo?

Para Marcella, outras condutas podem ser levadas em consideração, mas não é obrigatório que a empresa as pondere para decidir sobre a dispensa do empregado. “Tudo vai depender da gravidade da situação, mas uma única infração pode ser o estopim de uma justa causa”, diz.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Santana diz que geralmente a empresa, diante de uma má postura do funcionário, o adverte para que mude o comportamento. Caso a situação não mude, então o demite.

Mais um brasileiro é identificado em vídeo com desrespeito à mulher russa

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Mais um brasileiro é identificado em vídeo com desrespeito à mulher russa

Empresas monitoram comportamento nas redes sociais para contratar ou demitir; veja cuidados

Headhunters analisam perfil de candidatos, que podem ser eliminados dependendo do que publicam; empresas estão atentas ao que funcionários fazem nas redes por preocupações com a reputação e a segurança da informação.

Por Marta Cavallini, G1

30/06/2018 07h00  Atualizado há 2 anos

As redes sociais se tornaram uma vitrine, através da qual se pode acompanhar o que as pessoas fazem, pensam ou compartilham. Ao mesmo tempo, pode ser uma vidraça para quem se expõe no ambiente virtual sem medir as consequências. E nesse território onde não há divisão entre público e privado, patrões e recrutadores estão de olho no que os profissionais compartilham e nas possíveis repercussões que podem ser geradas.

Neste mês, um funcionário da Latam foi demitido após ter aparecido em um vídeo com outros brasileiros constrangendo mulheres durante a Copa da Rússia.

Advogados trabalhistas ouvidos pelo G1 afirmam que o mau uso das redes sociais pode dar demissão, inclusive por justa causa – leia mais aqui.

Segundo a pesquisadora e consultora na área de comunicação digital Carolina Terra, as empresas estão de olho nos perfis, não apenas os monitorando diretamente, mas recebendo denúncias de pessoas que veem os conteúdos impróprios.

“As pessoas falam mal do chefe na rede social, mas não na cara dele, porque têm a pseudo-sensação de estarem protegidas, mas na verdade estão ultraexpostas e isso logicamente traz consequências”, diz.

Para Carolina Terra, nem todos têm noção das consequência da hiperexposição nas redes sociais  — Foto: Arquivo social

Para Carolina Terra, nem todos têm noção das consequência da hiperexposição nas redes sociais — Foto: Arquivo social

A consultoria especializada em recrutamento, seleção, outplacement e recolocação de executivos Luciana Tegon ressalta que os profissionais são avaliados também no âmbito pessoal. “A gente quer entender um pouquinho o que faz aquele candidato que pode vir a se tornar funcionário dentro da empresa”, explica.

Segundo ela, os recrutadores fazem a pesquisa em perfis nas redes sociais quando o candidato consegue chegar à fase final, que é a entrevista com o empregador.

“Em alguns casos, os perfis nas redes sociais valem como critério de definição para que uma pessoa seja contratada ou descartada”, afirma.

Segundo ela, na entrevista presencial, é possível ver o que o candidato quer passar, mas existe sempre um outro lado que ele não conta, e nas redes sociais é possível conhecer o lado pessoal dele.

Ferramenta para o bem e para o mal

A coach executiva Luciana Tegon diz que as redes sociais também podem trazer benefícios para quem souber tirar bom proveito delas.

Segundo ela, pessoas engajadas em causas de voluntariado, em ONGs de animais, campanhas de agasalho, que praticam esportes, fazem jardinagem, por exemplo, são bem vistas pelo mercado de trabalho, que vê como positivo o que elas fazem quando estão fora da empresa.

Luciana Tegon orienta quem procura emprego a fazer um pente fino em suas redes sociais, pois elas podem definir a escolha do candidato para a vaga — Foto: Arquivo pessoal

Luciana Tegon orienta quem procura emprego a fazer um pente fino em suas redes sociais, pois elas podem definir a escolha do candidato para a vaga — Foto: Arquivo pessoal

Luciana conta o caso de uma secretária bilíngue que se destacou no processo seletivo porque em sua rede social ela mostrava seu trabalho voluntário num lar de idosos. “A rede social é uma ferramenta, que pode ser usada para o bem ou para o mal.”

Segundo Carolina, postar conteúdo prestador de serviços é sempre bem visto. “Ser um curador de informação no segmento do qual o profissional faz parte fará as pessoas o seguirem”, diz.

A coach executiva recomenda a quem for procurar emprego que antes revise seus posts nas redes e faça os ajustes necessários (veja dicas abaixo).

Luciana conta o caso de um candidato que tinha um currículo excelente, com fluência em três línguas e longa experiência profissional. Mas nos últimos 6 anos tinha trocado de emprego três vezes, o que dava indícios de ser um profissional instável. Esse argumento se comprovou quando os recrutadores verificaram seu comportamento nas redes sociais. Segundo ela, ele não tinha medida com bebida alcoólica e frequentava lugares que não condiziam com a função que ele ia exercer na empresa. Acabou não sendo contratado.

“A gente olha o conjunto de coisas, o que a pesquisa mostra, se tem comportamento adequado ou inadequado”, resume.

Carolina sugere, em último caso, ter dois perfis – um profissional e outro pessoal. “No pessoal fala o que quiser e mantém privado, e no profissional trata apenas de assuntos referentes ao emprego ou ligados ao segmento da carreira”, recomenda.

Empresas de olho nos funcionários

O professor de etiqueta em redes sociais e de mestrado profissional em jornalismo Ivan Paganotti diz que as empresas monitoram ativamente a participação dos funcionários nas redes sociais devido à preocupação com a reputação e com a segurança da informação, e geralmente elas avisam que estão fazendo isso.

Esse procedimento, segundo ele, é para prevenir que situações de crise surjam da exposição deles nas redes sociais, e já avisam que esses comportamentos poderão ser punidos.

“Se a empresa identificar um posicionamento inadequado, mesmo sem levar a uma repercussão maior, pode punir o funcionário com advertência ou fazer curso de adequação, agindo de forma preventiva”, diz.

Ele cita como exemplos o caso de um funcionário da rede de cafés Starbucks, que foi acusado de racismo nos Estados Unidos por chamar a polícia ao ver dois consumidores que estavam há muito tempo sem consumir. Os clientes denunciaram que sofreram discriminação por serem negros. “A empresa teve que dar uma resposta coletiva para isso e deu curso de formação para os funcionários contra discriminação”, conta.

Starbucks se preocupou com reputação após repercussão ligar empresa a racismo — Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Starbucks se preocupou com reputação após repercussão ligar empresa a racismo — Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Outro caso foi o da empresa de serviços de hospedagem Localweb, em 2010, cujo funcionário falou mal de um time de futebol nas redes sociais e era justamente a equipe patrocinada pela empresa. Ele acabou demitido. “Esse caso mostra como a crise de reputação da empresa pode surgir da participação dos funcionários nas redes sociais. É difícil separar a vida do torcedor do funcionário da empresa”, comenta.

Paganotti conta outro caso de uma funcionária que recebeu advertência por ter enviado um e-mail profissional para o marido com informação sobre promoções de motéis. A alegação da empresa é que ela usou o e-mail profissional para uma atividade “pouco ortodoxa”. “Ela mandou só para o marido, mas a empresa entendeu que ela poderia causar algum tipo de dificuldade no futuro”, explica.

Outros casos comuns são de funcionários em fotos nas redes sociais consumindo um produto da empresa concorrente.

Para Ivan Paganotti, o público tem cobrado um posicionamento das empresas com mais frequência, o que mostra que é difícil separar a vida particular da profissional.  — Foto: Daniele Gross

Para Ivan Paganotti, o público tem cobrado um posicionamento das empresas com mais frequência, o que mostra que é difícil separar a vida particular da profissional. — Foto: Daniele Gross

Paganotti explica que, além do monitoramento, as empresas estão fazendo treinamento, implantando código de conduta e ética e regras de boas práticas nas redes sociais. “São empresas que já tiveram cobrança do público e, as que não tiveram, olham para seus concorrentes que se deram mal e agem de forma preventiva”, afirma.

Para o professor de etiqueta nas redes sociais, o público tem cobrado um posicionamento das empresas com mais frequência, o que mostra que é difícil separar a vida particular da profissional.

“As pessoas procuram onde o profissional trabalha para pedir punição, e as empresas atendem a isso. A responsabilidade então fica com os funcionários que agiram mal e não com a empresa”, explica.

Há casos em que as empresas se sentem prejudicadas, mesmo que o comportamento não tenha a ver com o trabalho do profissional ou não tenha havido exposição da companhia. Dentro disso se enquadra o caso do funcionário da Latam que foi demitido. “É uma forma de a empresa deixar claro que esse tipo de atitude não será tolerado”, diz.

Carolina defende que as empresas tenham uma política de mídias sociais interna, voltada para os funcionários, mostrando qual o comportamento que a empresa espera deles.

“Pode ser documento, vídeo, estar no contrato de trabalho que, ao cometer ato de preconceito, difamação e calúnia nas redes, a empresa se reserva a não querer aquele funcionário”, afirma.

“A gente não é só pessoa física na rede social, é jurídica também, representa aquela empresa em que trabalha”, ressalta a consultora na área de comunicação digital.

Sem fronteiras entre público e privado

Para Carolina Terra, as pessoas não enxergam a fronteira entre o corporativo e o virtual e, como não estão conseguindo lidar com essa hipervisibilidade, acabam pagando por isso.

“Se elas falassem no bar, teriam consequência, mas na rede social fica exacerbado. E não estão medindo as consequências dos seus atos. Antigamente poderia render processo se viesse a público. Mas com a rede social tem o mundo inteiro vendo e reprovando aquele ato inconsequente”, diz.

Para Paganotti, todos devem ter a percepção de que hoje em dia não há mais divisão entre profissional e pessoal nem público e privado. E como não há como controlar as críticas, é preciso aceitar o fato de as pessoas poderem expor seu incômodo com certos comportamentos.

“Ter consciência sobre o funcionamento das redes pode acontecer baliza nossas condutas. E lembrar de experiências anteriores que causaram problemas faz com que as pessoas encontrem a melhor forma para se expor”, diz.

Para Carolina Terra, ninguém mais tolera preconceito, difamação ou calúnia. “Quem fez aquela brincadeira na Copa da Rússia não imaginou que aquilo pudesse rodar o mundo. Mas foi bom para alertar as consequências de um ato impensado”, diz.

O que não pega bem

Veja abaixo 16 dicas de Paganotti, Carolina e Luciana:

  1. Superexposição nas redes pode não ser bom – mostra que a pessoa tem mais foco em si mesma que no trabalho.
  2. Postar fotos mostrando o corpo ou com trajes íntimos, em situações incomuns ou constrangedoras, não pega bem. Se fizer questão de mostrar, deixe disponível apenas para os amigos.
  3. Redes sociais não são o lugar indicado para discussões ofensivas. Quem se expõe fica sujeito a julgamentos e está vinculando uma imagem sua que pode não ser positiva para um headhunter.
  4. Pessoas que costumam contar os dias para acabar a semana de trabalho mostram ter mais foco em prazer, diversão e descontração do que aspiração na carreira.
  5. Pessoas que reclamam demais têm foco nos problemas. Quem tem mais atitudes positivas mostra foco na solução.
  6. Falar mal de concorrentes pega mal, ainda que a intenção seja defender a empresa onde trabalha. Além disso, pode parecer que o empregador está estimulando a crítica.
  7. Postar apenas conteúdos envolvendo a vida pessoal pode prejudicar a carreira, já que pode dar a entender que a pessoa não tem interesses profissionais.
  8. Falar mal do patrão e de colegas de trabalho, faltar do trabalho e no mesmo dia postar foto se divertindo, além de pegar mal, dão demissão por justa causa.
  9. Aquele “consumidor profissional” que reclama de tudo reflete a vida dele. Ser crítico com tudo prejudica o profissional em busca de emprego, pois se fala mal do transporte público, vai falar mal da empresa e do chefe.
  10. Pessoas que precisam expor sempre suas opiniões e que são voluntariosas devem deixar seus perfis abertos apenas para amigos.
  11. Não escreva o que você não falaria na rua.
  12. O país vive um momento de muitas polarizações, e assuntos polêmicos sempre geram discussões. Evite se envolver nisso.
  13. Não precisa postar tudo o que está fazendo – além de se expor excessivamente e ter de arcar com o que foi publicado, pode ser perigoso para a sua segurança.
  14. É inadmissível ser preconceituoso, difamador e caluniador.
  15. Repense as postagens do que está sentindo no momento. Às vezes num dia ruim, expor a situação que te incomodou pode parecer imaturidade ou inflexibilidade.
  16. Cuidado com comentários sobre política e religião. Defender uma crença é totalmente normal, mas agredir ou ofender escolhas e posicionamentos de outros usuários é inaceitável,

Por dentro do figurino do novo clipe d’As Baías com Mc Rebecca, “Coragem”

Trio lança clipe com feat da funkeira é lançado hoje

11 SET 2020 – 06H00 ATUALIZADO EM 11 SET 2020 – 10H59

As Baías e Mc Rebecca em
As Baías e Mc Rebecca em “Coragem” (Foto: Divulgação)

O grupo musical As Baías (que encurtaram o nome anterior de As Bahias e a Cozinha Mineira), composto pelas cantoras e compositoras Raquel Virgínia, Assucena Assucena e pelo cantor, compositor e produtor Rafael Acerbi, lançam hoje música do projeto “Respire & Coragem”. O single da vez é “Coragem”, que conta com feat da artista Mc Rebecca e tem clipe dirigido por Rafael Carvalho. 

Nas imagens, não tem como sentir nostalgia por colocar um brilho e sair dançando por aí. O preto faz o contraste com peças coloridas e muito, muito cristal. Assinado pelo stylist David Polack,  o figurino de “Coragem” tem elementos fortes do glam rock e do pop chic.

” [É] uma alfaiataria levemente oversized faz o contraponto com peças justas, com o brilho dos cessórios de cristais, que pontuam o styling nas roupas e botas, em forma de broches”, conta o stylist. “Os cabelos mudam a cada troca de look, variando cores, texturas e penteados”, acrescenta. 

Uma das inspirações para o clipe é ninguém menos que Beyoncé. Com tem 3 cenários, o vídeo faz uma homenagem explícita à Queen B no vídeo da música “Formation”, do álbum “Lemonade”, com a cena do corajoso dedo do meio.

Em um novo momento da trajetórias, As Baías fazem uma investida mais pop. Esse é o segundo single do “Respire & Coragem” com um feat. Na semana passada, o trio lançou música com Rincon Sapiência. 

As Baías e Mc Rebecca em
As Baías e Mc Rebecca em “Coragem” (Foto: Divulgação)

Filho homenageia mãe com tatuagem de última mensagem enviada por ela: “Orgulhosa de você”

  • REDAÇÃO MARIE CLAIRE
  • DO HOME OFFICE

19 SET 2020 – 09H01 ATUALIZADO EM 19 SET 2020 – 12H37

 Jean Potengi faz homenagem a mãe (Foto: reprodução/instagram)
Jean Potengi faz homenagem a mãe (Foto: reprodução/instagram)

Jean Potengi perdeu a mãe, Valéria Cristina, de 48 anos, de maneira repentina. Ela foi atropelada por um motorista embreagado em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. O técnico de enfermagem, então resolveu prestar uma homenagem e tatuou no braço a última menagem que recebeu dela por meio de aplicativo de mensagem.

“Orgulhosa de você. Não tenha medo. Faça o que nasceu pra fazer… cuidar. 04/05/2020”, dizia o texto que foi eternizado em sua pele.

Nas redes sociais ele ainda escreveu: “A última mensagem da minha mãe, estava orgulhosa pois eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego como profissional na área da saúde. Ainda tenho muito a conquistar e dedicarei cada conquista a você, mãe! Saudade”, publicou.

Em entrevista ao site Só Notícia Boa, ele contou que a frase foi enviada para ele pouco antes de Valéria sofrer o acidente que tirou sua vida. Um motorista bêbado passava pela Estrada de Adrinópolis, mesmo local onde ela praticava ciclismo na ocasião e a atropelou. Ela morreu no dia 4 de maio. Sobre o motorista, Jean contou que “está em processo ainda”.

 Jean Potengi faz homenagem a mãe (Foto: reprodução/instagram)
Jean Potengi faz homenagem a mãe (Foto: reprodução/instagram)
Jean Potengi e Valéria Cristina (Foto: reprodução/instagram)
Jean Potengi e Valéria Cristina (Foto: reprodução/instagram)
 Jean Potengi  (Foto: reprodução/instagram)